“PARA QUEM QUER IMPLANTAR UM REGIME AUTORITÁRIO NO BRASIL, ELEIÇÃO É SÓ UM DETALHE.”

Marcos Nobre – UOL – 25/7/22

O filósofo e cientista político Marcos Nobre, em participação no programa UOL Entrevista no dia 25 de julho, enfatizou o risco imediato de ruptura da ordem democrática se a sociedade civil brasileira não reagir de forma rápida e concertada contra as pretensões golpistas do presidente.

Para Nobre, a tentativa de golpe é inevitável. A questão é como construir articulação política para resistir e impedir essa tentativa.

Ele diz: “O fato de existir um golpe diante de nós já é grave o suficiente. A gente se perguntar se vai dar certo ou não é a pergunta errada. A pergunta certa é: como a gente se prepara para evitar o golpe?”(confira em 36’12 do vídeo acima).

Outros pontos destacados por Marcos Nobre:

– Bolsonaro tem atirado para todo lado para ver o que dá certo. Se houver no Brasil um episódio como o do Capitólio nos EUA, ótimo. Se as Forças Armadas embarcarem numa tentativa de golpe, ótimo. Mas, se não der certo, ele pode esperar 2026 para colher o que plantou. (9’15)

– O caos é o método de Bolsonaro. O presidente segue produzindo o caos para fazer com que a população venha a pedir “ordem”. Quem traria essa ordem? A mesma pessoa que produziu o caos. “Um sujeito autoritário produz as condições do autoritarismo”. (11’00)

– O relógio do golpe foi ligado, oficialmente, em público no 7 de setembro do ano passado. O segundo momento público do golpe foi a graça presidencial que Bolsonaro concedeu ao deputado golpista Daniel Silveira, num 21 de abril, data também simbólica. O terceiro momento do golpe será no próximo 7 de setembro. A ideia é: tumultuar a eleição. (12’05)

– Há poucas informações sobre a divisão interna das Forças Armadas, se ali Bolsonaro tem ou não maioria (falando só da cúpula, pois a base ainda é mais difícil de medir). Sabe-se que uma parte das Forças Armadas está com o projeto golpista de Bolsonaro. Mas também se sabe: as Forças Armadas não dão golpe contra 75% da população. (22’05)

– Pessoas da sociedade civil com quem a população brasileira se identifica – pessoas sem filiação partidária, sem pretensão eleitoral, que têm uma grande respeitabilidade – precisam se reunir e fazer o movimento do Brasil contra o golpe para afirmar: 1) não importa quem vai ganhar as eleições ou quem vai perder, o que importa é o que o resultado será respeitado; 2) não vamos admitir caos social produzido de maneira artificial por quem quer dar um golpe; e 3) somos contra golpes de qualquer tipo e, a cada sinal que for dado de um golpe em curso, nós iremos reagir. (15’11 e 40’26)

– “Ou 75% da população brasileira ficam atrás de uma faixa que diz ‘nós não aceitamos o golpe’, ou seja, o Brasil é contra o golpe, ou ele [Bolsonaro] tem chance.” (13’17)

Fonte: UOL (acesse aqui)

Autor: Marcos Nobre

Publicado em: 25/07/2022